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Justiça condena casal por extorquir Pe. Julio

Não alimento desejo de vingança,mas era preciso se fazer justiça
Pe. Julio Lancellotti

A Justiça condenou nesta segunda-feira, 23/05, o casal Anderson Batista e Conceição Eletério, por extorsão contra o Pe. Julio Lancellotti. A sentença é de 7 anos e 3 meses de prisão. Anderson estava preso e ficará no Centro de Detenção do Belenzinho; a mulher poderá recorrer em liberdade.

Segundo a acusação do Ministério Público, os dois, que já foram detidos anteriormente, voltaram a ameçar o Pe. Julio. No início do ano, chegaram a dizer que dariam um tiro nele se não recebessem dinheiro. A cena foi registrada por câmeras de segurança e houve ameaças também em ligações telefônicas gravadas.

O juiz Eduardo Crescenti Abdalla concluiu que Anderson e Conceição “respondem por um delito de extorsão, em sua forma continuada, iniciado com o telefonema de Conceição, seguido pela abordagem direta do marido”. E afirmou que não há porque duvidar do padre, que, apesar de conhecer os acusados, não teria razão para prejudicá-los.


Entrevista do Pe. Julio ao UOL

Conhecido defensor dos moradores de rua de São Paulo, o padre Julio Lancellotti já foi manchete por causas nobres, como ter sido porta-voz dos indigentes na época da maior chacina de andarilhos da capital paulista, em 2004.

Em 2007, entretanto, o religioso foi envolvido em uma denúncia de pedofilia. Desde o início da polêmica, ele sempre alegou inocência. Dizia que seus delatores estavam movidos por dinheiro – e que tinham inventado um caso de abuso para conseguir vantagem financeira.

Absolvidos por falta de provas nos dois primeiros processos por movidos por Lancellotti, no entanto, dois envolvidos na acusação foram condenados na última segunda-feira (23) por extorsão, julgados por uma nova abordagem agressiva feita pelo padre em janeiro deste ano.

Segundo o juiz Eduardo Abdalla, da 25ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, Anderson Marcos Batista e Conceição Eletério devem pagar sete anos de prisão por ameaçar Lancellotti. "São as mesmas pessoas. O mesmo advogado. Um caso joga luz em outro", afirma o padre, que se julga "apedrejado pela imprensa".

UOL Notícias - Como foi a nova ameaça?
Julio Lancellotti - No dia 11 de janeiro, quando saí de casa às 6h30, o Anderson apareceu, para surpresa minha, na porta da minha casa. Tentei me desvencilhar e fui para o outro lado da rua, me afastando para chamar o táxi. Ele disse que não ia ficar "na merda", que iria voltar armado e me dar um tiro na cabeça.

UOL Notícias - Como o senhor provou a abordagem?
Lancellotti - Procurei a polícia para fazer um boletim de ocorrência. Foram eles (os policiais) que descobriram que havia uma câmera de segurança no prédio em frente. Os policiais foram lá e conseguiram as imagens, mostrando os gestos do rapaz me ameaçando. Dessa vez, teve a filmagem. E aparece ele vindo atrás de mim.

UOL Notícias - O senhor se sente prejudicado pela polêmica sobre pedofilia?
Lancellotti - Permaneço prejudicado. Mas a Justiça foi feita.

UOL Notícias - Por que essas pessoas vieram lhe prejudicar?
Lancellotti - A motivação deles eu não sei qual é. Mas foram pessoas que nós acompanhamos, como muitos. Mas eles foram para outros caminhos.

UOL Notícias - Como o senhor reagiu às críticas da imprensa?
Lancellotti - Eu esperei que a poeira baixasse. Mas nunca baixou. Eu fui linchado, apedrejado. O circo que fizeram na porta da minha casa, o desrespeito com minha mãe que faleceu há cinco meses.

UOL Notícias - O que a imprensa fez?
Lancellotti - Colocaram uma fita adesiva em minha campainha para me deixar louco. E fazer com que eu saísse na rua como doido para ver o que acontecia. Fotografaram minhas contas d'água. Perseguiam as pessoas que iam até a minha casa. Houve até uma pressão nos prédios vizinhos para tentar deixar as câmeras entrar para me fotografar dentro da minha casa.

UOL Notícias - O senhor está recuperado?
Lancellotti - Estou enfraquecido, machucado. Mas as pessoas que estão ao meu lado me ajudam a levantar.

 

Site recebe selo “Direitos Nota 10”

Site premiado Direitos Nota 10

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em novembro de 2007