<rss version="2.0"><channel><title>Apoiamos o Padre Júlio Lancellotti News List</title><item><title><![CDATA[O (mau) comportamento da imprensa]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=fe3f4fab-60f2-4c67-ae7e-7aa8fee1a8c1#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p>Desde o início do caso, alguns veículos de comunicação divulgaram falsas denúncias, estimulando calúnias e infâmias. Outros fizeram coberturas desequilibradas, como denunciou em dezembro o ombudsman do jornal <strong>Folha de S. Paulo</strong> (<a target="_self" href="http://www.padrejulio.com.br/default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a">http://www.padrejulio.com.br/default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a</a>). O mesmo comportamento se repetiu agora e a conclusão do Ministério Público não teve tanto destaque...</p>
<p>O editor da revista <strong>Imprensa</strong>, Pedro Venceslau, comentou o trabalho dos meios de comunicação nas colunas publicadas em 30 de janeiro (<a target="imprensa" href="http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2008/01/30/imprensa140.shtml">http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2008/01/30/imprensa140.shtml</a>) e 5 de dezembro (<a target="imprensa" href="http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2007/12/05/imprensa125.shtml">http://portalimprensa.uol.com.br/colunistas/colunas/2007/12/05/imprensa125.shtml</a>).</p>
<p>A propósito, reproduzimos abaixo o editorial do jornal <strong>O São Paulo</strong> do último dia 19 de fevereiro:</p>
<p align="center"><strong><em><font size="2">Para o padre Júlio, o sol já brilha no fim do túnel</font></em></strong></p>
<p align="left"><em><img height="387" alt="Capa do jornal O São Paulo" hspace="4" width="335" align="left" vspace="2" src="http://www.padrejulio.com.br/ImageHandler.ashx?UploadedFile=true&pg=2f913a2f-e0d1-4c42-9ccd-a64211af2a88&image=http://www.padrejulio.com.br:80//App_Data/UserImages/Image/OSP_19022008_.jpg" />A Justiça começa a ser feita. Para o padre Júlio e todos os que o admiram por sua coragem na defesa dos pobres, confirma-se aquilo que muitos de nós sabíamos. O Ministério Público proclama o que nós esperávamos, inclusive nós da administração e a redação deste jornal. Padre Júlio foi, sim, criminosa e cruelmente chantageado por jovens em cuja recuperação ele confiava e a quem tratava com carinho paternal. Sob ameaças de jogar lama em seu trabalho junto aos menores carentes, junto às crianças infectadas pelo vírus da Aids, junto aos moradores de rua. Somaram-se a essas ameaças as agressões verbais, a proximidade constante e muitas vezes agressivas junto ao padre e seus familiares.</em></p>
<p><em>O calvário do padre Júlio está para terminar, calvário que se foi agravado pela irresponsabilidade de parte da imprensa, de modo tristemente particular, aquela parte da imprensa nas mãos de uma igreja (a letra minúscula é de propósito) que aliciou falsas testemunhas, postou-se ameaçadoramente junto à casa do sacerdote, acusou sem provas, caluniou nosso padre Júlio.</em></p>
<p><em>Houve também fiéis católicos e até sacerdotes que se deixaram levar pela orquestração absurda. <font face="Arial">Reescreveram-se assim cenas do famoso, imaginário e absurdo drama descrito no livro "O processo" de Franz Kafka. E agora? Agora é esperar a decisão final do juiz. Haverá certamente os que pleitearão uma batalha judicial para compensar a honra aviltada, e não faltam razões para tal. Será justo se isto acontecer, porque não basta punir os chantagistas, é preciso punir também os que tentaram forjar provas, os que acusaram, os que caluniaram. Haverá também os que não ficarão satisfeitos com a condenação dos criminosos e insistirão na culpa do padre Júlio.</font><font face="Arial"></font></em></p>
<p><em>É o mal da calúnia. Honra manchada dificilmente se limpa, particularmente nos corações fechados para a verdade. Haverá, enfim, e certamente os que darão graças a Deus porque a verdade brilhou sobre as trevas e isto lhes bastará. A verdade pura e cristalina do crime contra o padre Júlio dissipará as trevas da dúvida provocada pelos criminosos e alimentada por parte da imprensa.</em></p>
<p><em>Graças a Deus pelo que padre Júlio precisa e deve voltar logo às suas atividades porque os menores carentes, as crianças com aids e os moradores de rua desta cidade precisam de sua voz profética. <br />
</em></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Advogado contesta nota publicada no jornal O Estado de S. Paulo]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=addb815e-b4eb-421e-beaf-09ce1b223a8c#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[Na qualidade de advogado constituído do padre Julio Lancellotti, venho manifestar minha irresignação com os termos da nota “Pela chaminé”, de Sonia Racy, publicada na edição de sábado, 15 de dezembro, que inverte os papéis no caso envolvendo o padre. Padre Júlio é vítima de extorsão há três anos e, quando denunciou o caso à polícia, ela concluiu que, de fato, o crime ocorreu. As pessoas a quem ele aponta como tendo extorquido seu dinheiro estão presas e processadas. Após a repercussão do caso na imprensa, uma mulher que não quis se identificar disse que o vira em atitude suspeita com um menor de idade. Esse caso, que não configura pedofilia, ao contrário do que diz a jornalista, está em fase de averiguação e duas testemunhas já depuseram à polícia negando a versão da acusadora, ligada a um inimigo público de Lancellotti. Por fim, o inferno astral do padre ocorre quando textos cheios de preconceito e com pouca informação objetiva como a referida nota são publicados.<br />
<em>Luiz Eduardo Greenhalgh</em>]]></description></item><item><title><![CDATA[Ombudsman critica cobertura da Folha]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=0b602847-5932-490d-8de4-97c8717764df#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><img height="240" alt="" hspace="5" width="350" align="left" vspace="4" border="0" src="/ImageHandler.ashx?UploadedFile=true&pg=2f913a2f-e0d1-4c42-9ccd-a64211af2a88&image=http://www.padrejulio.com.br:80//App_Data/UserImages/Image/Folha_09122007.jpg" /></p>
<p>A coluna de Mário Magalhães, ombudsman da Folha de S. Paulo, registra neste domingo, 09/12, a diferença de cobertura do jornal.</p>
<p>No dia 28 de outubro, a Folha estampou na primeira página e no caderno Brasil a acusação do ex-interno da Febem contra o Pe. Júlio.</p>
<p>Quando outro detento negou denúncias feitas anteriormente, a notícia foi publicada sem alarde, longe da capa, no rodapé de uma página interna do caderno Cotidiano.</p>
<p>O ombudsman conclui que "<em>pareceu desigual a abordagem dos fatos: quando um depoente fez declaração ruim para Lancelotti, o jornal noticiou com megafone; quando outro fez uma boa, informou-se com cochichos</em>".</p>
<p>A íntegra da coluna está disponível em <a target="_blank" href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om0912200703.htm">http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om0912200703.htm</a> (acesso somente para assinantes).</p>]]></description></item><item><title><![CDATA[A origem da sujeira - Rubens Marchioni]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=9dcea947-55e4-40ae-b45b-d460a8940632#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial">Dia desses li num jornal paulista de grande circulação que o Pe. Júlio Lancellotti estaria engrossando o caldo da “Sujeira na igreja”. Um texto agressivo, escrito mais com ressentimento do que com palavras e lucidez inteligente. Por conter, ele mesmo, o veneno que o destrói, deixei tal artigo de lado – afinal, há tanta coisa importante pedindo espaço em nossa mente, que não valeria a pena ir além do conhecimento de sua existência. </font></p>
<p><font face="Arial">Não foi preciso muito tempo para que a origem da “sujeira” se mostrasse vinda de outra fonte. A lama é produto, sobretudo da impunidade que leva pessoas sem perspectivas a extorquir até mesmo quem trabalha para lhes devolver a dignidade.</font></p>
<p><font face="Arial">O próprio detento, até então no ataque, alardeando que tivera relações sexuais com o padre, agora desmente o fato mal-imaginado que nem ele conseguiu sustentar, justamente por se tratar de uma afirmação sem fundamento. Nas ruas, o povo aclama o Pe. Júlio e lhe oferece toda a solidariedade, acima de qualquer ataque. </font></p>
<p><font face="Arial">Não há sujeira, e se ela existe, não estará na Igreja, como pretende o rancoroso artigo. Os fatos desmentem a acusação leviana. E veja o leitor que contra o peso dos fatos não há argumento que resista. </font></p>
<p><font face="Arial">A conclusão dispensa um maior número de palavras: a vida é mestra e sempre tem muito a ensinar. Até mesmo aos doutores dispostos a aprender e se renovar.  </font></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Padre Júlio Lancellotti: o apedrejamento jornalístico]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=2986cabc-bc4c-4aa2-a49e-4d2b00f15a21#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial"><em>Escrito por Gabriel Perissé*<br />
</em><br />
Agora é tarde. As pedras já foram lançadas contra Júlio Lancellotti. Aqueles que por algum motivo discordam de sua maneira de ver e atuar estão secretamente felizes. Ou não tão secretamente. Aqueles que praticam o jornalismo do escancaramento, com ou sem evidências, já cumpriram sua missão.</font></p>
<p><font face="Arial">Hermano Freitas, por exemplo, utilizando locuções verbais para exprimir fatos acontecidos, (ou não?), em época passada, escreveu: “ex-interno da Febem, Batista teria conhecido e iniciado um relacionamento amoroso com o padre na instituição, onde foi internado aos 16 anos por roubo” (Folha Online, 27/10/2007). A expressão “relacionamento amoroso” é o que interessa, sobretudo num momento em que casos registrados de pedofilia dentro da Igreja católica criaram e difundiram a sensação de que o mais provável é que se repitam sempre e em todo lugar.</font></p>
<p><font face="Arial">O recurso das aspas funciona como pretexto para reproduzir a fala irresponsável de quem quer que seja sobre o que for. Na mesma matéria de Hermano Freitas, lemos, com as aspas indicando (heróica objetividade...) as palavras de um outro: “‘Eles chegaram a ter relações sexuais dentro da igreja’, disse o advogado de Batista. [...] O advogado afirma que o valor dos bens recebidos por seu cliente foi de ‘quase 700 mil reais’ e que o relacionamento entre o padre e ex-detento acabou após Batista ter se casado, em outubro de 2006. Ainda de acordo com ele, o sacerdote mantinha relações sexuais com outros meninos”.</font></p>
<p><font face="Arial">Diogo Mainardi, na Revista Veja (ed. 2031), adota outro expediente. O da pseudo-insinuação. Chamar o padre de “Michael Jackson da Mooca” é colocá-lo no banco dos réus por antecipação, e reduzir a figura do sacerdote à imagem de um astro pop tupiniquim.</font></p>
<p><font face="Arial">Na Record, o programa “Fala que eu te escuto” emitiu seu veredicto. O problema de Júlio Lancellotti é o celibato. Se não houvesse celibato obrigatório para os padres, estes casos deixariam de existir. Não é bem uma pergunta, ou uma enquete... É condenação mesmo.</font></p>
<p><font face="Arial">No dia 3 de novembro, divulgou-se na mídia o “desabafo público” de Pe. Lancellotti, depois das pedradas: “aquelas coisas todas, que foram ditas e colocadas nas manchetes dos jornais e dos noticiários, não aconteceram”.</font></p>
<p><font face="Arial">A mídia não sente culpa. Ninguém admitirá que atirou a primeira, a segunda, todas as pedras. E sempre alimenta perversa esperança. De, antes do Natal, aplicar o golpe de misericórdia...</font></p>
<p><font face="Arial"><em>*Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor.<br />
Fonte: <a target="_blank" href="http://www.correiocidadania.com.br">Correio da Cidadania</a></em></font></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Análise do discurso do Padre Júlio Lancellotti]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=156ab810-96e1-45ef-b27f-95717ee25ec7#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial"><em>O texto abaixo é um trecho da tese de doutorado de Maria Cristina Vignoli Elias* e pode ajudar a entender os motivos das perseguições contra o Pe. Júlio Lancellotti </em></font></p>
<font face="Arial">
<p>O tema deste trabalho é o discurso do Padre Júlio Lancellotti, sob o enfoque da Semiótica e da Análise do Discurso, ressaltando os recursos e estratégias de que ele se vale para persuadir seus destinatários para uma ação efetiva, visando a esclarecer a participação deste sacerdote ativista e atuante na realidade brasileira, e sua percepção desta mesma realidade, ao mesmo tempo em que pretende ressaltar a coerência de sua vida e de sua pregação e a verdade de sua prática, em outras palavras, a relação coerente entre sua prática e a sua oratória. </p>
<p>A idéia de tomar o discurso do Pe. Júlio como objeto desta pesquisa foi tomando forma ao longo de minha convivência com sua prática e de minha participação nas missas por ele presididas em sua paróquia. O envolvimento na sua fé e na sua pregação, que eu própria experimentava desde o início, alertou-me para a possibilidade de estudar mais a fundo e de conhecer o trabalho e a caminhada deste homem de nosso tempo que, longe de se esconder na sua religiosidade, dedica-se de corpo e alma ao que ele mesmo entende como uma participação histórica e ao mesmo tempo tão antiga quanto o próprio Cristo, sempre ao lado dos marginalizados e sofridos, os “crucificados” dos nossos dias. Ao mesmo tempo, sentia a fecundidade desse trabalho sob a perspectiva da Análise do Discurso e da Semiótica, uma vez que identificava nele certas características que, com certeza, trariam uma contribuição efetiva para essa área de estudo.</p>
<p>Para tanto, parti de uma entrevista com Pe. Júlio, que pudesse dar algumas pistas no sentido de conhecê-lo e ao seu trabalho, para entender a coerência entre sua pregação e a verdade de sua crença. Nesta entrevista, revelou-se o homem de origem simples, que cultua uma vida igualmente simples e de trabalho intenso, longe do “glamour” e dos holofotes, que usa a mídia – e se expõe a ela freqüentemente –, mas sempre com o objetivo de chamar a atenção para suas causas, nunca para si mesmo –, enfim, de tentar convencer: “fazer crer” para “fazer-fazer”. A propaganda utilizada é meio às avessas, até por ser discípulo de D.Luciano Mendes de Almeida, uma propaganda “ao contrário”.</p>
<p>Sua formação é toda fundamentada em teólogos marcados pelo mesmo compromisso, entre os quais cita sempre José Comblin, que foi seu professor na Faculdade de Teologia, e é um grande intelectual, considerado, atualmente, um dos últimos enciclopedistas; padre belga, veio para o Brasil, foi expulso pela ditadura militar e hoje está no Nordeste, fazendo um trabalho chamado de “Teologia da Enxada”, capacitando catequistas e  populares que fazem meio-período de trabalho na roça e meio-período de estudo; sua obra é teológica e pastoral, é um dos teólogos da Teologia da Libertação. Outro grande teólogo da América Latina, que também o influenciou – e ainda influencia muito – e que vive ainda em El Salvador, é João Sobrino, cujo último livro - “A fé em Jesus Cristo, um ensaio a partir das vítimas” - está trazendo, segundo suas próprias palavras, um grande impacto para sua vida; Sobrino trabalhou muito com Ignácio De La Curria, um dos jesuítas mortos na UCA – Universidade Centro Americana, em El Salvador, e só não foi assassinado também porque estava fora do país, nesse dia. Além deles, destaca-se ainda Enrique Dussel, também seu antigo professor, um argentino que foi posto fora da Argentina e vive atualmente no México, e que faz todo um estudo da Teologia da Libertação e da Filosofia da Libertação.</p>
<p>Em termos de Pastoral, deve ser lembrado D. Paulo Evaristo Arns, por sua participação na defesa dos direitos humanos e seu apoio a todos os trabalhos que visem a ela, mas a grande influência é de D. Luciano Mendes de Almeida, que o ordenou padre, uma pessoa muito questionadora, pela sua prática, por sua pobreza, pelo despojamento, pela simplicidade, pelo questionamento pessoal, de forma que, na Pastoral do Menor, a convivência com D. Luciano, as descobertas das coisas com ele e através dele o marcaram muito; em termos de trabalho, de descoberta junto com o povo, foi tudo sendo construído na sua vida através dessa convivência mesma com o povo, formando um vínculo com o próximo que o fez, através deste trabalho na Pastoral do Menor e do convívio com D. Luciano, ficar muito colado a realidades muito cruas, desafiadoras e dramáticas, de vida e de morte, fatos cujas memórias são marcadas por dor e esperança, e que vêm desde a época em que ele ainda não era padre, e trabalhava como professor no Serviço Social de Menores, hoje FEBEM. Segundo Pe. Júlio, foram pequenas e grandes coisas que o tornaram muito aderente ao sofrimento, às dificuldades, aos sentimentos e às emoções das pessoas mais sofredoras e marginalizadas, os “crucificados” da vida, e que o fazem percorrer um caminho sem volta, de compromisso, numa história de muito encontro e de muito desencontro entre as pessoas, tornando seu discurso tão coerente e forte, exatamente porque tão comprovado por sua própria prática de vida.</p>
<p>Padre Júlio, segundo alguns, é um padre “diferente” – porque, embora seja tão fiel às práticas religiosas mais antigas e tradicionais da Igreja e tenha uma formação muito forte de respeito à autoridade do Papa, está ao mesmo tempo muito ligado a práticas que, para alguns, não deveriam dizer respeito a um sacerdote: na defesa pelos direitos da vida dos presos e presas, ou do menor infrator, está sempre presente nas rebeliões nos presídios e na Febem;  da mesma forma, atua junto ao povo da rua – do qual é o Vigário Episcopal; está diariamente na Casa Vida –ao lado de seus amados filhos e filhas; mas também na sua pequena Paróquia de São Miguel, onde é o único sacerdote, (ou na Capela de São Judas, quase que uma extensão dela), celebrando a missa de todos os dias e as três do domingo; na feira da terça-feira, à qual freqüentemente vai com um grupo de suas crianças; e no almoço de domingo, reservado para sua mãe, com quem mora. </p>
<p>Essa sua constância de vida também é um motivo de persuasão para o seu discurso, pois fundamenta todo o seu compromisso e seu envolvimento, a sua participação incansável e permanente, assim como o seu despojamento pessoal também adquire este caráter persuasivo: não tem automóvel – está sempre utilizando de alguém que o leve para atender aos compromissos mais distantes; veste-se simplesmente e usa sandálias de tiras de couro, tipo franciscanas, no dia-a-a-dia; não usa correntes de ouro ou jóias, ainda que representassem símbolos da Igreja ou os santos de sua devoção, usa apenas os de material simples, sem nenhum luxo, além do anel de tucum, aquele que carregam os que têm um compromisso em trabalhar contra a fome  e a pobreza do povo; mantém compromissos também com a própria família, cuidando da mãe idosa, fazendo-lhe companhia nas poucas horas que sobram de um dia que começa invariavelmente às 5h30min. </p>
<p>É um homem que gera polêmica, neste nosso mundo tão individualista e globalizado, alguém cuja trajetória tem um objetivo e uma meta, cujos santos de devoção são também tão marcados pela escolha desses mesmos caminhos de luta pela vida e pelos desvalidos: São Martinho de Lima, um bastardo que não foi aceito como religioso por não ter pai e por ser mulato, e que foi depois converso dos dominicanos para cuidar da limpeza e dos animais e fazer remédio de ervas, tendo sido mais tarde canonizado por João XXIII e declarado Patrono da Justiça Social; São João Eudes, que cuidava das mulheres prostituídas e dos atacados pela peste, e que foi expulso de inúmeras cidades e por fim do próprio convento; Santa Edith Stein, uma judia que se tornou doutora da igreja, e morreu num campo de concentração; São Maximiliano Colbe, que também morreu num campo de concentração, doando a vida pelas outras pessoas; São Thomas Morus, que foi preso na torre de Londres e decapitado por defender a ética na política e a não-manipulação religiosa; São Francisco de Assis, que se despojou de tudo e que falava com os animais; Santa Josefina Baquita, que era uma escrava negra...</p>
<p>Este sacerdote tem também consciência de que muito dessa polêmica e da reação contrária que gera tem a ver com a posição política que tem, uma vez que um discurso mais humanista e progressista, mais libertador, mais de organização, é identificado a um discurso de esquerda, uma vez que  a direita pressupõe sempre a exclusão, o massacre, a violência... Mas salienta que os padres, embora nunca possam ter filiação partidária, até por disciplina religiosa, identificam nos partidos os critérios mais próximos àquilo que professam – assim, embora haja apoio a determinados candidatos e propostas, há sempre que se manter o espírito crítico, a lucidez, a independência, no sentido também de cobrar depois desses grupos que seja cumprido tudo o que prometeram. Segundo ele, não dá para dizer que se tem fé, apenas, deve haver uma verificação história de sua fé, da sua esperança e da sua caridade... sempre a partir de um critério ético, que é o critério da vida dos pobres e com os pobres. </p>
<p>Este homem que já foi agraciado com medalhas e títulos, que já foi reverenciado por autoridades e colocado ao lado de grandes personalidades defensoras dos direitos humanos e da luta pela vida até por entidades de reconhecimento e cunho internacionais, este homem é, também ele, exatamente por seu discurso e por sua prática, muitas vezes atacado e violentado, vítima de uma realidade distorcida por um discurso que transforma em verdade o que não é, que faz acreditar que o que se diz é que é a verdade... uma verdade transformada pela ótica do individualismo e da busca do poder – e que se constata, por exemplo, no discurso político brasileiro, este sim, manipulatório, em que os exemplos são tantos e tão comuns – basta recordarmos os fatos recentes de nossa história: eles estão aí, todos sabem o que aconteceu, mas os envolvidos usam  um discurso em que tentam nos convencer de que o que estamos verificando não é  verdade, não existiu realmente, de que as pessoas não tinham a intenção de realizar o que realizaram, não tinham consciência de que podiam provocar o que provocaram... e o fazem de maneira tão manipulatória e ardilosa, que, apesar de todos terem consciência de que são pessoas constantemente não comprometidas, em sua própria prática de vida, acabam aceitando o que dizem, aceitando este  discurso a própria verdade, isto é, o discurso adquire o cunho de verdade, e determina, a partir daí, as ações e os  envolvimentos dele decorrentes.</p>
<p>O tema escolhido, assim, escora-se também na nossa realidade e nas escolhas que fazemos – daí a profundidade com que deve ser tratado.</p>
<p>Analisar este sacerdote de nossa época, ativista e conhecedor de nossa realidade e da alma de cada um daqueles a quem se dirige, cuja vida é também ela tão indissolúvel desse mesmo discurso e com ele se confunde, na medida mesmo em que um se comprova pelo outro –, desde o início tornou-se um desafio: seu discurso cheio de emoção, sua fé tão perceptível que quase que emana dele, seu profundo conhecimento da psicologia de cada um e sua compaixão tão grande – tudo o que se pode depreender de suas palavras – estavam  muito próximos de mim.</p>
<p>Meu curso direcionou-se para este ramo da comunicação e de suas técnicas, uma vez que sempre me interessei pelos recursos e estratégias de que se vale o enunciador para conseguir a adesão do destinatário: se há ali persuasão, manipulação ou coação, onde nos pode levar este discurso, e por que é tão difícil quebrar alguns estereótipos que são assimilados em nossa cultura, tornando tão difícil, muitas vezes, a adesão e a ação desejadas; e como o discurso da mídia e dos grupos sociais privilegiados, nessa nossa sociedade, cada vez mais está substituindo a realidade, manipulando a opinião e a ação das pessoas. A idéia surgiu e eu não a podia recusar: ali estava um sacerdote importante, atuante e reconhecido em nosso cenário sócio-cultural (e não restrito apenas ao plano religioso) e ao mesmo tempo tão cheio de fé, por isso mesmo tão complexo, apesar de toda a sua simplicidade, cujo discurso, aliado a toda a parte não-verbal de que ele se utiliza, indiscutivelmente me provocavam, instigando-me a tratá-lo num plano objetivo e sério, tentando tornar meu trabalho digno de estudá-lo e à sua realidade e demonstrando, apoiada num método e numa teoria científicos – os da Semiótica e da Análise do Discurso –, a credibilidade que ele realmente possui. </p>
<p>Pe. Júlio visa a quebrar estereótipos muito fortes em nossa sociedade e que identificam o pobre, o doente, o desvalido, o oprimido com o “diferente”, o “outro”, o que não merece figurar na sociedade que vivem as pessoas “boas”, “normais, “entre as quais me incluo”, “com as quais me identifico”... estereótipos que determinam a exclusão, a discriminação, o racismo. Segundo ele, o indivíduo não deve ser considerado só por um aspecto – por exemplo, ele não é só o  infrator, o assassino, mas também possui uma história, uma família, é também marcado pelo sofrimento e pela dor. Sua luta é pela educação, pelos limites, mas é também pela reintegração na sociedade; para que não se tente resolver os problemas através do ódio, da vingança, da crueldade, da tortura. É por tudo isso que ele se coloca na contra-mão da visão dominante de subjetivismo e de estereótipos, ao mesmo tempo em que se expõe aos ataques cada vez mais fortes de grupos que se sentem ameaçados por ele, por seus exemplos, por suas palavras e por suas ações. Para ele, o Amém, que é a resposta que se dá quando se recebe a hóstia consagrada, tem um significado muito sério e consciente de compromisso pela partilha, de escolha de um caminho solidário e de inclusão, de luta pela vida do povo e dos mais sofridos – daí essa mistura entre discurso, evangelho e prática de vida.</p>
<p>A Igreja Católica tem outros fenômenos da comunicação que mereceriam, talvez, um estudo – Pe. Marcelo Rossi, por exemplo, que pertence à Renovação Carismática; não há como negar o trabalho de Pe. Marcelo até no sentido de arregimentar fiéis para sua igreja, entrando nas casas das pessoas através de meios de comunicação poderosíssimos, como a televisão e o disco, mas também não se deve pensar que só esta ala da Igreja, e seus representantes, é que seriam os donos da alegria da Igreja, da alegria da Fé: as comunidades de base fazem celebrações festivas com música há muito tempo, e o Povo da Rua também. Além disso, enquanto P. Marcelo usa músicas, dança, canto e festa de maneira magistral, sua oratória é absolutamente deficiente, insuficiente mesmo, restrita a algumas pequenas frases e muitas reticências – o aspecto não-verbal se sobressai, e o verbal quase que se reduz ao que aparece em sua música, por exemplo. Seu discurso, além disso, também não se sustenta, porque não se compromete, pois os carismáticos propõem, e procuram, uma resolução individual do problema – daí o apelo popular tão grande que conquistaram, neste momento histórico de atritos da modernidade e de subjetivismo muito forte; segundo Pe. Júlio, a mais antiga tradição da Igreja não é essa (aqui ele cita Santo Agostinho: “Eu prefiro não me salvar, se for para me salvar sozinho”) e Leonardo Boff: “Não podemos falar do nós e esquecer do eu, mas também não podemos falar do eu e esquecer do nós”. </p>
<p>Desse modo, optei por alguém cujo envolvimento com a comunidade e com o indivíduo – com seus problemas, seus mistérios, seus dilemas – é muito forte porque resulta de uma visão desse indivíduo por inteiro, de um compromisso de amor e da luta da percepção e valorização desse indivíduo na sociedade, alguém cujas ações e palavras incomodam porque nem sempre refletem apenas o que os outros querem ou gostam de ouvir, embora tenha tanta compaixão e distribua tanto amor; alguém que acolhe e ama e impõe limites, mas que  também reclama, conclama, quer convencer para fazer-fazer, que fala e que age, e que fundamenta suas ações no Evangelho que segue e que apregoa. </p>
<p>Segundo suas próprias palavras, esse é um caminho duro e sofrido, tem muita luta, muita reação contra, mas o que ele busca é “defender a vida, defender a dignidade da vida, as vítimas da história, e mostrar isso ao sistema, inclusive a forma como esse sistema faz isso e depois diz que não – e fazer com que as pessoas entendam, explicar para que as pessoas entendam e mudem seu modo de pensar e de agir no mundo...”(Pe. Júlio, em entrevista de 12/05/01).</p>
<p>O trabalho com o povo, a descoberta junto ao povo de uma realidade muito dura e sofrida foram sendo construídos, na vida do Pe. Júlio, ao longo do tempo, criando um vínculo marcado por fatos de dor e de esperança. E saber dessa realidade significa comprometer-se com ela, enfrentá-la sem medo, colocando-se contra estereótipos tão presentes no nosso tempo – para isso Padre Júlio utiliza seu discurso e seus exemplos, todos tão repletos dessa misericórdia que o sustenta e o faz viver o que prega. </p>
<p>Padre Júlio tem consciência de que este é um processo longo e demorado, de que a trajetória de vários grupos é uma trajetória histórica e de que não vamos ver a mudança: “...a mudança vai acontecendo misturada ao complexo da história, às condições da história, o tempo todo... é um processo contínuo e permanente, e nós não vamos ver a mudança... esse processo de mudança não é para agora, é para mais de cem anos!...Por enquanto, é uma busca!...” </p>
<p>O discurso do Padre Júlio transformou-se em minha tese de doutorado sob o título “O discurso do Padre Júlio Lancellotti – uma análise lingüístico-semiótica”, apresentada ao Programa de Semiótica e Lingüística Geral da USP para a obtenção do Titulo de Doutor em Letras, ainda não publicada. Padre Júlio me deu a honra de estar presente à defesa, ocasião em que, após breve pronunciamento, foi ovacionado pelos professores participantes da banca e demais presentes.</p>
<p><em>*Maria Cristina Vignoli Elias é professora universitária com mestrado e doutorado pela USP e pertence à comunidade da Paróquia de São Miguel Arcanjo</em></p>
</font>]]></description></item><item><title><![CDATA[A revista e o padre - Frei Betto]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=831a8ad4-289b-4261-b7f6-aee2dd9ce5f5#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial">Veja o leitor, há uma revista semanal que odeia pobres e quem a eles se dedica. Revista que ignora as regras básicas do bom jornalismo e nem se preocupa em bem informar o leitor. Todas as suas matérias são editorializadas, de tal modo que até mesmo uma entrevista é publicada, não segundo palavras do entrevistado, mas de acordo com a conveniência do veículo entrevistador.  <br />
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Semanas atrás, no encarte contido na edição destinada a São Paulo, a revista desancou uma das pessoas mais íntegras que conheci em toda a minha vida: o padre Júlio Lancellotti. Um dos raros santos vivos de quem tenho a graça de ser amigo.<br />
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Júlio se dedica, há anos, ao povo da rua da capital paulista: pedintes, doentes mentais, desempregados, catadores de papel etc. A todos serve com espírito evangélico. Quando sofrem violência por parte da polícia, é Júlio o anjo que lhes dá proteção. E abre as portas de sua igreja para que ali se sintam em casa.<br />
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Júlio faz o mesmo com a crianças de rua e os internos da Febem. E não age como quem se interessa em "catequizá-los". Sabe muito bem, graças à sua boa formação teológica, que essa gente excluída expressa de modo especial a face viva de Jesus, que com eles se identificou (Mateus 25, 31-44). Quer apenas que se sintam pessoas dotadas de dignidade e direitos, ainda que a nossa sociedade, fundada na desigualdade econômica, os tenha escorraçado para as calçadas da mendicância e os becos do desamparo.<br />
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Veja, leitor, a revista semanal, do alto de seu empertigado farisaísmo, identificou na atitude de vida do padre Lancellotti pura demagogia, levantando indagações que fazem eco às cobranças dos fariseus a Jesus. Por que o padre Júlio não vai morar debaixo da ponte? Por que não abre a igreja para servir de moradia ao povo da rua? O que revela desinformação a respeito dessa parcela sofrida da população.  <br />
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Só o preconceito e a ignorância explicam a miopia de certas pessoas que confundem morador de rua com bandido e julgam que ele vive ao relento por não ter um teto que o abrigue. Há exceções, mas a maioria faz da rua uma opção de vida. Ali há liberdade, o descompromisso, o fim de opressões outrora sofridas no trabalho e na família (espancamentos, abusos sexuais, alcoolismo etc). E são raros os que mendigam. Preferem viver do próprio trabalho, como catar lixo reciclável.<br />
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Quem levaria para casa uma criança nascida com Aids e abandonada pela família? Padre Júlio já levou centenas. A revista não viu as duas unidades da Casa Vida em São Paulo, que visito com freqüência. Ali as crianças recebem cuidados médicos e terapêuticos; são educadas no asseio e escolarizadas; aprendem a ter auto-estima e ser felizes. Cega, a publicação semanal não quis ver nada disso. Nem mesmo este detalhe: cerca de 90 crianças, mesmo virtualmente condenadas à morte por uma enfermidade incurável, já foram adotadas por famílias européias.<br />
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A revista que se gaba de ver não viu que há milagres no mundo: casais que, impossibilitados de procriar, escolhem adotar uma criança filha da miséria e contaminada pelo vírus HIV. Graças à evangélica dedicação do padre Júlio Lancellotti, cujo testemunho enobrece a espécie humana.</font></p>
<p><font face="Arial"><em>Frei Betto<br />
Frei dominicano. Escritor.<br />
</em>Publicado originalmente na agência Adital (<a href="http://www.adital.com.br">www.adital.com.br</a>)</font></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Solidariedade ao padre Júlio Lancelotti]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=01386337-e7b9-45a8-b472-3178a4d37979#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial">Claudemiro Godoy do Nascimento *</font></p>
<p><font face="Arial">Há algum tempo, a imprensa destila seu veneno contra o Padre Júlio Lancelotti. Não nos esqueçamos da bizarra matéria da Veja escrita pela repórter Camila Antunes intitulada O Pecado da Demagogia. Nesta grotesca reportagem da Veja, Padre Júlio Lancelotti é chamado de líder de uma organização política, criador de uma categoria sociológica "Povo da Rua" e promotor da idéia de que a situação do povo da rua se encontre em estado permanente. Na época, janeiro de 2006, escrevi um artigo intitulado A demagogia do pecado, apontando as reais intenções da reportagem a serviço da lógica excludente do então prefeito José Serra que queria retirar todos os moradores de rua do Centro de São Paulo para "higienizar" os ares e a estética da cidade. Higienizar para que as elites pudessem ter sossego e não mais ser incomodada com os forasteiros moradores de rua. Evidentemente que o Padre Júlio e as pastorais sociais da Igreja se colocaram contra tal propósito excludente do então prefeito e atual governador José Serra.</font></p>
<p><font face="Arial">Hoje, temos assistido a uma verdadeira novela que ronda a pessoa humana do Padre Júlio que sempre agiu segundo o espírito do Evangelho. Nós, que o conhecemos há anos seu trabalho junto aos excluídos, seja o povo da rua, seja as crianças e adolescentes vítimas do abandono ou do vírus HIV, somos testemunhas de sua coragem e profecia. Não tenho dúvidas que Padre Júlio "caminha nas estradas de Jesus". Exatamente por romper com tudo aquilo que seja anti-Reino é que Padre Júlio vem sendo alvo de intensas reportagens ambíguas e maldosas.</font></p>
<p><font face="Arial">Padre Júlio ao denunciar a extorsão que vinha recebendo, aos poucos, por meio das especulações dessa mídia elitista, vem passando da condição de vítima a condição de culpado. Culpado por amar tanto os pobres, os moradores de rua, as crianças. Culpado por ser pai de muitos e muitas. Culpado por seguir fielmente o Evangelho de Jesus. Sim, culpado por colocar-se a serviço daqueles e daquelas considerados os últimos pelas classes dominantes e os primeiros aos olhos de Deus. Essa é sua culpa.</font></p>
<p><font face="Arial">Mas para a imprensa e para muitos setores do poder dominante, a culpa é outra. Até mesmo de homossexual está sendo chamado. O próprio advogado do grupo que extorquia Padre Júlio demonstra uma imensa incapacidade - condição própria de um pequeno-burguês a serviço das elites - e que viu nesta defesa uma boa oportunidade para aparecer, para estar na mídia, anunciando falsas acusações contra uma pessoa humana que, independentemente de ser ou não o Padre Júlio, ninguém deveria passar.</font></p>
<p><font face="Arial">A mídia deita e rola, com as reportagens, com as especulações, com as hipóteses que em nada apresentam o conceito científico da investigação. Preocupa-me a formação dessa imprensa. Não possuem nenhuma condição científica para ali estarem cobrindo uma matéria que deveriam antes de tudo averiguar, mas não, já lançam as hipóteses e especulações que acabam deteriorando os sentimentos e a subjetividade das pessoas. Culpar Padre Júlio de práticas homossexuais é realmente algo bizarro, nojento e bárbaro.</font></p>
<p><font face="Arial">Por isso, acredito que a vítima - Padre Julio Lancelotti - nas mãos da imprensa e do poder dominante se tornou há muito tempo culpado. Para a lógica dos defensores do capital e da burguesia realmente ele é culpado como já disse acima. Mas para Deus, ele sempre será um presente. Um homem hominizado pelo amor, pelo serviço, pelo testemunho e pela solidariedade que se tornaram ao longo desses anos sua própria regra de vida que podemos resumir na seguinte afirmação: doar-se sempre aos mais pobres e excluídos. Esse foi, é e será sempre o nosso companheiro da caminhada, Padre Júlio Lancelotti.</font></p>
<p><font face="Arial">* Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação pela Unicamp. Doutorando em Educação pela UnB<br />
Publicado originalmente na agência Adital (<a href="http://www.adital.com.br">www.adital.com.br</a>)</font></p>]]></description></item><item><title><![CDATA[Reflexão do Pe. Tarcísio Marques Mesquita]]></title><link><![CDATA[http://www.padrejulio.com.br:80//Default.aspx?pg=3740b525-8de3-4895-9628-a67b99f90a5a&detail=e95acfce-bcb4-4a59-8e87-71dcdc48c7a2#4a421b2e-41bd-4e42-a837-5a29736ee66b]]></link><description><![CDATA[<p><font face="Arial"><font face="Arial">Curioso que muitas pessoas que se irritam com seu trabalho sejam exatamente as indispostas a ver ou dar ouvidos a algum tipo de criminoso; em outras palavras, são os que ideologicamente afirmam que trabalhos humanitários como os seus sustentam e defendem "bandidos". Sempre ouço e leio que os ditos pós-modernos são mesmo assim: incoerentes, individualistas ao extremo, trocam de idéias e opiniões com a mesma frequência que trocam as meias dos pés, dizendo e desdizendo pensamentos e opiniões com uma tal confiança de estarem certos que dura até o próximo capítulo da novela das oito.</font></font></p>
<p><font face="Arial"><font face="Arial">De fato é curioso: são exatamente estas pessoas que têm vindo a publico para ofendê-lo e fazer insinuações contra você. Um psicólogo social, com certeza, saberia explicar que tipo de ímpeto assola o coração humano atual a ponto de apoiar em certos momentos os que mais odeiam, dar ouvidos aos que mais detestam e acreditar nos que jamais creriam. Interrogo-me sobre o porquê disso tudo...</font></font></p>
<p><font face="Arial"><font face="Arial">Um arrazoamento que me ocorre ao me interpelar sobre esta incongruência tão presente hoje é que as pessoas vivem tanto do imediatismo, do pra agora, a tal ponto que grande parte destas pessoas não se comporta bem numa fila para esperar sua vez; muitas são gritonas, autoritárias; sujam a porta do vizinho, mas não adimitem que uma folha da árvore do passeio ao lado "emporcalhe" o seu quintal. Em geral, pessoas assim correm ao poder público para reclamar do barulho na casa ao lado da sua, mas quando a festa é em suas casas... sai de perto!!!</font></font></p>
<p><font face="Arial"><font face="Arial">Sabe, Padre Júlio, infelizmente, certos valores simples de convivência foram se perdendo no turbilhão do consumismo, do individualismo, na falta de bom senso desse egoísmo infantil de tantos adultos que, por exemplo, ao invés de procurar defender seus filhos das consequências provocadas por seus erros evidentes -defendendo-lhes para atenuar a imputação de culpa que lhes seja devida- tornam-se  desavergonhadamente cúmplices de suas mazelas na escola, de suas imprudências no trânsito, do pequeno furto a uma loja, de suas brigas de rua e das mentiras que contam. Pessoas assim, por falta de um senso adulto de saber ajuizar, julgam os outros com uma severidade que jamais aceitariam que fossem elas assim julgadas, condenando os que lhes convém condenar como juízes implacáveis (juízes do tipo que elas gostam de dizer existiam no tempo da odiosa inquisição).</font></font></p>
<p><font face="Arial"><font face="Arial">Sou levado a concluir que temos sido vítimas de nós mesmos; o aquecimento global está aí provando que o egoísmo caminha a passos largos pelo nosso planeta. Ser justo e bom hoje é pôr a cabeça a prêmio! Triste é saber que defender a vida é correr o risco de ser acusado de morte. Num mundo que expõe seres humanos à sorte das ruas frias e perigosas da zona central da cidade, ser destes porta-voz nas horas mais difíceis de dor tem um preço: para os individualistas, a agilidade de julgar e condenar; para outros, a sensibilidade de se arriscar para que todos tenham vida!</font></font></p>
<p>Tarcísio Marques Mesquita</p>]]></description></item></channel></rss>